quarta-feira, 9 de janeiro de 2013




Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
Cecília Meireles

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

 

RECEITA DE ANO NOVO
 
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanhe ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
 
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
 
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012



CHEGOU O INVERNO

Velho, velho, velho
Chegou o inverno.

Vem de sobretudo,
Vem de cachecol,

O chão onde passa
Parece um lençol.

Esqueceu as luvas
Perto do fogão:

Quando as procurou,
Roubara-as um cão.

Com medo do frio
Encosta-se a nós:

Dai-lhe café quente
Senão perde a voz.

Velho, velho, velho.
Chegou o inverno.

Eugénio de Andrade (1923 –2005)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

sábado, 1 de dezembro de 2012

 


Receita para fazer um bom aluno
Ingredientes:

Entusiasmo — 500kg;

Motivação - 1 tonelada;

Cadernos diários -  q.b. (quanto baste)

Material didático – q.b.

 Assiduidade — 100 pás;

Estudo diário – 1 tonelada;

Leitura clara – 200 chávenas de chá;

Escrita correta – 1000 litros;

Empenho – 1 tonelada;

Participação – 1000 litros;

Organização e concentração – 2000 colheres de sopa.
 



Preparação
         Unte, com muito entusiasmo e motivação, o início do ano letivo e forre-o, depois, com os cadernos diários e todo o material didático necessário para cada uma das disciplinas.
         Junte os trabalhos de casa, a assiduidade e o estudo diário para uma refeição mais saborosa. Adicione uma leitura clara e uma escrita correta. Depois polvilhe o empenho, a participação e a organização. Envolva tudo muito bem e comece a cozer, mas sempre a vigiar com atenção. Depois, com a máxima concentração, não deixe desenformar nada.
         Finalmente, depois de saborear a refeição, já pode repousar e aproveitar o Verão.


David Cruz, nº9, 8ºC
 
 
 

Receita para fazer um bom aluno II

Ingredientes:

- 300 g de cadernos diários;
- 100 g de empenho;
- 150 g de manuais escolares;
- participação q.b.
- 3 colheres de trabalhos de casa;
- 4 pitadas de organização;
- 2 chávenas de estudo diário;
- 85 g de leitura;
- 5 colherzinhas de concentração;
- 0,5 l de escrita;
- comportamento q.b.
- 30 g de assiduidade.

Modo de preparação:

 Numa tigela, deite os cadernos diários, faça uma pocinha e dentro dela coloque os manuais escolares e três colheres de trabalhos de casa.
 Misture tudo à medida que se vai deitando duas chávenas de estudo diário.
 Junte a leitura à mistura e a escrita batida em castelo.
 Adicione a assiduidade aos poucos e envolva o preparado com empenho. Unte uma forma com a participação necessária.
 À medida que vai despejando a mistura, vá acrescentando quatro pitadas de organização e cinco colherzinhas de concentração.
 Leve a cozer a 180º durante o tempo necessário até começarem as férias.
 Desenforme o cozinhado e reparta-o em pequenas porções.
 Deixe repousar o verão inteiro.
 Sirva-o enrolado, recheado com autonomia e responsabilidade e em seguida polvilhe-o com comportamento e respeito.
   Bom apetite...
Tiago Gonçalves, nº25, 8ºD
 
O Planeta Terra em 2110
Em 2110 terei 110 anos, já serei velhinho e, ao longo do tempo, irei envelhecendo como o Planeta Terra. O Planeta Terra irá envelhecendo, mas só de idade, pois tudo o que é velho ficará novo. A ciência será quatro vezes melhor do que é hoje, a medicina será tambem muito avançada, haverá mais doenças, mas também muitas maneiras de curá-las.

 Em relação à população, esta terá mais problemas de colesterol e obesidade, pois haverá máquinas a fazer quase tudo por nós.

 O Planeta, em si, estará praticamente igual. É verdade! Poderão estar a pensar:” Como é possível a Terra não estar perto do fim ou com o ambiente pesado e a atmosfera estragada?” Mas não. Apenas mudará ligeiramente o clima nos países. Em Portugal, por exemplo, haverá mais tornados e na América menos; haverá também mais chuva, mas nada como o “Fim do Mundo”. No futuro, o ambiente vai-se habituando e acho que o Planeta Terra irá superando lentamente as mudanças. Ficaremos a pensar “ Olha, se é assim, não é preciso fazer reciclagem nem nada parecido!”. Mas poderemos sempre ajudar para não deixar o Planeta fazer tudo sozinho. Agora, se sei que tudo isto vai acontecer,  não sei, mas pressinto que sim.
David Cruz, Nº9, 8ºC



Portugal associa-se ao Dia das Livrarias
A ideia é espanhola e visa, com a extensão a Portugal, dar força às livrarias, sobretudo as de mais pequena dimensão. Pó dos Livros, GATAfunho e Assírio & Alvim são algumas das participantes.

Cerca de uma dezena de livrarias portuguesas associou-se esta sexta-feira ao Dia das Livrarias, evento organizado em Espanha e que se estende a Portugal por iniciativa da Fundação José Saramago e do movimento Encontro Livreiro.
A extensão da ideia espanhola para Portugal é, segundo a fundação, incentivar as livrarias, sobretudo as independentes e as de mais pequena dimensão, a terem mais visitantes, "contrariando a tão real crise que leva tantos a temer o fecho iminente desses espaços de cultura".
O movimento Encontro Livreiro, por seu lado, dá conta, no seu site, de pelo menos uma dezena de livrarias a associarem-se ao evento, entre as quais a Fonte das Letras, de Montemor-o-Novo, a Pó dos Livros, GATAfunho e Assírio & Alvim, de Lisboa, a Traga-Mundos, de Vila Real, e a centenária Livraria Esperança, do Funchal. Pode ver a lista completa aqui ou aqui.
Em Portugal, o Dia das Livrarias acontece na data em que morreram os escritores Fernando Pessoa (30 de Novembro de 1935) e Fernando Assis Pacheco (30 de Novembro de 1995).
Em Espanha, é a segunda vez que a Associação de Livrarias e o Colégio de Escritores organizam o Dia das Livrarias, para dar a conhecer "o prazer pela leitura e pelos livros", e para os livreiros mostrarem aos visitantes "os livros que precisam e também os que eles desconhecem que precisam".

A ideia é recordar "a função social e cultural" de uma livraria na sociedade, lê-se no manifesto espanhol.
O Encontro Livreiro é um movimento de livreiros e pessoas ligadas ao mundo do livro que reflectem, com regularidade, sobre o livro, as livrarias e a promoção da leitura.